PMs réus por morte de mecânico ficam em silêncio durante audiência em Mantenópolis
A Justiça realizou na tarde desta terça-feira (7) a audiência de instrução e julgamento com o objetivo de ouvir os cabos da Polícia Militar Allyson Augusto de Miranda e Bruno Costa Oliveira, réus pela morte do mecânico Gustavo Barbosa Batista, de 22 anos, assassinado com um tiro na nuca durante uma abordagem policial em novembro de 2024, em Mantenópolis, no Noroeste do Espírito Santo. Os militares respondem pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.Publicidade
O cabo da Polícia Militar Allyson Augusto de Miranda é acusado de ter efetuado o disparo que atingiu a nuca do mecânico Gustavo Barbosa Batista, de 22 anos. Crédito: Redes sociais
A reportagem assistiu ao julgamento, com autorização do juiz Marcelo Menezes Loureiro. Os dois policiais militares disseram que os fatos não ocorreram como está descrito na denúncia do Ministério Público, mas que iriam ficar em silêncio e que não responderiam nem mesmo a perguntas da própria defesa deles. Os dois se posicionaram de igual forma.
O Ministério Público informou que “trata-se, em tese, da última audiência desta etapa processual. Após a sua realização, deverão ser observadas as fases processuais seguintes, incluindo a apresentação das alegações finais pelo Ministério Público e pela Defesa. Em seguida, caberá ao Juízo proferir a decisão cabível, que poderá definir se os acusados serão ou não submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri”.
De acordo com as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, no dia do crime os policiais teriam inventado uma história, registrada em um Boletim de Ocorrência manipulado, afirmando que uma mulher os teria parado na cidade de Mantenópolis relatando um suposto acidente no distrito de São José, onde um rapaz estaria morto. O centro da cidade e o distrito, localizado na zona rural, ficam a uma distância de cerca de 7 quilômetros.
POLICIAIS CRIARAM NARRATIVA EM BOLETIM, DIZ INVESTIGAÇÃO
Segundo a investigação da Polícia Civil, a versão dos PMs contrasta com os fatos, já que há indicíos de que os policiais teriam emendado uma perseguição ao jovem que estava de moto, após ele desobedecer a uma ordem de parada. Foi então que o cabo Allyson Augusto de Mirada, apontado como o executor, efetuou disparos de arma de fogo contra o motociclista. Um dos tiros acertou a nuca, em um disparo feito pelas costas do jovem. O tiro foi constatado por um médico legista do SML de Colatina, desmontando a versão dos militares.
Corpo da vítima foi sepultado em Alto Rio Novo no dia 15 de novembro de 2024. Crédito: Acervo familiar
A Rede Notícia teve acesso a Declaração de Óbito da vítima assinada por um médico legista do SML de Colatina. Nele é descrito que a morte do jovem Gustavo foi em decorrência de “paralisia bulbal, lesão perfurocontusa bulbar, e ferimento perfuro contudente por Perfuração por Arma de Fogo (PAF)”, descartando a possibilidade de acidente registrada pelos policiais militares que participaram do fato.
Declaração de Óbito confirma que vítima foi morta por tiro na nuca. Crédito: Obtida pela Rede Notícia
DEFESA
A reportagem tenta localizar a defesa dos réus. Este espaço segue aberto para manifestação.
SOBRE O CASO:
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