Polícia

Como TV motivou o sequestro, morte e ocultação de corpo do menino Lázaro há um ano em São Mateus

Como TV motivou o sequestro, morte e ocultação de corpo do menino Lázaro há um ano em São Mateus. Crédito: Montagem feita com auxílio de IA

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Há um ano, no dia 12 de junho de 2025, o menino Lázaro Airam dos Santos Pereira, de 17 anos, desceu do prédio em que morava com a mãe no Centro de São Mateus (ES), para entregar uma TV que um amigo havia vendido na internet e pedido a Lázaro para entregar ao suposto comprador. O amigo teria furtado a TV e anunciado nas redes. O dono teria visto o anúncio e se passado pelo suposto comprador, reunindo um grupo, entre eles um PM, no que a polícia chama de milícia privada.Publicidade

Imagens mostram a TV nas mãos de Felipe Silva Rodrigues caminhando ao lado de outro suspeito próximo a um famoso restaurante no Centro, e o menino entrando com outros suspeitos no carro do cabo da Polícia Militar Denis Marchiore. Era entre meio-dia e uma da tarde daquele dia, e o menino nunca mais foi visto.

Foi a mãe de Lázaro quem iniciou a investigação por conta própria. Ela descobriu que um militar estava envolvido, teve acesso às imagens de videomonitoramento e chegou a procurar a sede da PM em Guriri para pedir ajuda nas buscas. Ela sofreu desdém de colegas do cabo Denis, que reconheceram nas imagens apresentadas pela mãe que um dos seus estava envolvido. Só mais de 24 horas depois ela conseguiu registrar a ocorrência na Polícia Civil. O sumiço que começou na quinta ganhou repercussão apenas na semana seguinte. A cobertura ininterrupta da imprensa forçou a polícia a dar respostas que a família e a sociedade buscavam.

Seis pessoas são rés no processo: o cabo da Polícia Militar Denis Marchiore, Lucas Eduardo Soares Chaves dos Santos, Walisson Pereira Carvalho, Felipe Silva Rodrigues, Alex Nascimento Paixão e Yan Krislan Pereira Dias.
Foto em preto e branco de onde corpo da vítima foi enterrado pelos executores, e na parte inferior da esquerda para a direita os acusados do crime. Crédito: Montagem Rede Notícia
A Polícia Civil disse que durante todo o tempo de buscas nenhum deles abriu a boca para colaborar, detalhar o crime e indicar onde o corpo estava. Uma denúncia anônima foi fundamental para no dia 4 de julho, 22 dias após o desaparecimento, a polícia encontrar o corpo do menino enterrado numa cova profunda, numa área de vegetação fechada. Os investigadores falam que foi um balde de água fria na estratégia dos réus, porque eles acreditavam que o corpo jamais seria encontrado, o que fragilizaria a acusação de homicídio qualificado contra eles.

Os réus são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, em concurso de pessoas, mediante emboscada, além de milícia armada, sequestro e ocultação de cadáver.
O Ministério Público, na denúncia oferecida e aceita pela Justiça, disse que “as investigações reuniram diversas provas, incluindo imagens de videomonitoramento, dados do cerco inteligente, geolocalização de celulares da vítima e dos denunciados, além de testemunhos colhidos. O cruzamento dessas informações permitiu concluir que os acusados concorreram para a prática dos crimes narrados na denúncia”. O MPES também requereu que os réus, caso condenados, indenizem a família da vítima em, no mínimo, R$ 200 mil, a título de danos morais e materiais.
DEFESAS:
À reportagem, a advogada Luciana Costa, que faz a defesa de Felipe Silva Rodrigues, disse que o cliente dela é “inocente”. “A única participação dele se limita ao que o senhor acabou de afirmar acima, ele só pegou a TV e voltou para trabalhar. O meu cliente está em liberdade porque a defesa juntou aos autos todas as provas que o inocenta deste crime”, disse.
A reportagem tenta localizar as defesas dos demais réus citados no texto. Este espaço segue aberto para posicionamento.
SOBRE O CASO:

 
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