Armas, granada, resistência e celular em lago: os detalhes da prisão de PM suspeito de tráfico no Noroeste do ES
Imagem mostra a casa do PM, alvo da ordem de busca e prisão, e no destaque, foto do cabo da PM preso. Crédito: Montagem Rede Notícia
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A operação da Polícia Civil que prendeu o cabo da Polícia Militar Iago Rudio, de 32 anos, na quinta-feira (21), foi autorizada pela Justiça, mas, antes de ser executada, passou pelo gabinete do delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno Gasperazzo Leite. É o que indica o boletim de ocorrência com os detalhes da operação obtido pela Rede Notícia. O PM, que foi preso em casa em São Roque do Canaã, é suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas na região de Santa Teresa, São Roque do Canaã, Itarana e Itaguaçu, cidades das regiões Serrana e Noroeste do Espírito Santo.Publicidade
Segundo o documento, policiais civis do Ciat (Centro de Inteligência e Análise Telemática) começaram a operação às 2h da madrugada de quinta-feira (21), com uma reunião com agentes de outras unidades na Central II da Chefatura de Polícia Civil, no bairro Santa Luíza, em Vitória. Policiais militares da Corregedoria tomaram conhecimento dos fatos nessa reunião e acompanharam a equipe da PC. De lá, seguiram para São Roque do Canaã a fim de cumprir a ordem de prisão temporária de 30 dias contra o cabo Iago, além de mandados de busca e apreensão, todos autorizados pela 5ª Vara Criminal da Serra, em um processo que corre em sigilo e que começou em 2025.
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais chegaram à casa do cabo Iago às 6h50 e chamaram por ele, sem que houvesse resposta. Diante disso, a equipe precisou pular o muro da residência e chamou novamente através da porta de vidro que dá acesso à sala da casa, sendo então atendida pelo próprio militar, que logo foi comunicado sobre as ordens da Justiça.
A princípio, diz o boletim, o cabo Iago obedeceu aos comandos da polícia e sentou-se. Porém, após ser perguntado sobre a existência de armas e drogas na casa e onde estaria seu telefone celular, o PM se alterou de forma repentina. O documento detalha que ele pegou o aparelho que estava dentro da cueca e o arremessou em direção ao lago em frente à residência com o intuito de destruir provas, tentando fugir de forma agressiva em seguida.
Diante da situação, o cabo Iago Rudio foi contido à força no chão por vários policiais, que o algemaram para cumprir a ordem judicial. No primeiro momento, segundo o boletim, ele foi algemado com as mãos para a frente. No entanto, por permanecer muito agitado, não colaborativo e por conta do encontro de arma na casa, foi necessário algemá-lo com os braços para trás, visando a segurança do próprio militar, de sua família e dos policiais presentes.
De acordo com a ocorrência, nesse momento, Iago resistiu mais uma vez e disse que não seria algemado para trás. Os policiais precisaram deitá-lo no chão para fazer a algemação correta. O telefone que ele arremessou foi recuperado, recolhido e apreendido. A reportagem apurou que consta na ordem de prisão judicial a autorização para a quebra do sigilo do aparelho.
Os policiais então começaram a fazer buscas internas e externas acompanhados pela esposa de Iago. Durante os trabalhos, foram encontrados dentro de um armário, em um dos quartos, uma pistola italiana Beretta 9mm numerada, com carregador e seis munições intactas, uma granada de luz e som, além de duas munições calibre .32. Uma pistola Glock, 31 munições calibre .40, quatro placas balísticas, a capa de colete e o par de algemas da Polícia Militar também foram localizados e entregues pelos policiais civis à Corregedoria da PM, que acompanhava a ação.
De acordo com o boletim, parte da equipe se deslocou para o alojamento policial da 8ª Companhia Independente da Polícia Militar, em Santa Teresa, para fazer buscas no armário de Iago.
O boletim diz que, devido à tentativa de destruição de provas, tentativa de fuga e a necessidade de sua imobilização no chão, o cabo Iago ficou com pequenas escoriações e arranhões, assim como também se feriram três policiais que atuaram na contenção do militar. Por fim, o documento diz que foi dada voz de prisão a Iago pela posse ilegal da arma de fogo achada na casa e pelo cumprimento do mandado de prisão. Ele foi levado para a Delegacia de Polícia de Santa Teresa por uma viatura da Patrulha Rural, por determinação da Corregedoria. Em seguida, foi transferido para o presídio militar, anexo ao Quartel do Comando Geral da PM, em Maruípe, Vitória.
Segundo a Polícia Civil, “as investigações apontam que o policial militar estava envolvido em atividades criminosas ligadas ao tráfico de entorpecentes, recebendo valores provenientes do tráfico de drogas, atuando em benefício da organização criminosa investigada. Durante o cumprimento das diligências, foram localizados entorpecentes, balança de precisão e rádios comunicadores, além de uma arma de fogo sem registro legal, apreendida na residência do policial”.
O site ‘O Colibri News’ noticiou que o militar usava o cargo para beneficiar a organização criminosa, e que informações colhidas pelo jornal indicam que o PM teria ligação com a facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), associada ao Comando Vermelho.
Iago está na PM desde março de 2014, segundo dados públicos do Portal da Transparência do Governo do Estado.
Procurada pela Rede Notícia, a Polícia Militar informou que “a Corregedoria da PMES adotará todas medidas cabíveis para apuração dos fatos”.
A reportagem tenta localizar a defesa do cabo da PM citado no texto. Este espaço segue aberto para manifestação.
SOBRE O CASO:
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