Justiça nega liberdade a mulher ré pela morte do marido com 27 facadas no Noroeste do ES
Edivaldo Evangelista de Sousa (foto do meio) teria tentado avançar contra a esposa (foto à direita) com uma faca. Crédito: Montagem Rede Notícia
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A Justiça negou o pedido de liberdade formulado pela Defensoria Pública, que faz a defesa de Camila Domingos Barroso, de 39 anos, e manteve a prisão preventiva dela. Ela é ré pelo assassinato do marido, Edivaldo Evangelista de Sousa, de 36 anos, ocorrido em janeiro deste ano na zona rural de Alto Rio Novo. Na mesma decisão, o juiz Salim Pimentel Elias designou a audiência de instrução e julgamento do caso para o dia 14 de julho.Publicidade
Ao manter a prisão, o magistrado destacou que os fundamentos para a prisão ‘permanecem hígidos’. O juiz citou elementos que indicam o que chamou de “periculosidade acentuada” da mulher, baseando-se em informações de que a conduta de Camila não seria um fato isolado.
Um dos pontos centrais destacados na decisão é a mudança no depoimento do pai da própria acusada. Segundo o documento, o genitor de Camila apresentou uma retratação à polícia, noticiando um histórico de “extrema violência no âmbito familiar” por parte da filha, incluindo uma suposta tentativa anterior de tirar a vida do próprio pai.
Para o magistrado, esse histórico agressivo constitui um indicativo claro de que a liberdade da ré coloca em risco a garantia da ordem pública. “O modus operandi empregado no delito é expressivo e indica uma gravidade concreta que ultrapassa a normalidade do tipo penal”, argumentou o juiz na decisão, referindo-se à brutalidade do crime.
A defesa havia solicitado a liberdade alegando que não estavam presentes os requisitos para a medida extrema, mas o Ministério Público (MPES) se manifestou contra o pedido, entendimento que foi seguido pela Justiça.
O magistrado disse que outras medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica ou recolhimento domiciliar, não seriam suficientes para garantir a ordem pública diante da possibilidade de reiteração delitiva.
Relembre o caso
Edivaldo Evangelista de Sousa foi morto a facadas na madrugada do dia 14 de janeiro. Inicialmente, a versão apresentada por Camila e por seu pai era de que ela teria agido em legítima defesa após o marido tentar agredi-la com uma faca no banheiro da residência. Com base nessa narrativa e em lesões superficiais encontradas na mulher, ela chegou a obter liberdade provisória logo após o crime.
Entretanto, o curso das investigações alterou o cenário jurídico. O laudo cadavérico revelou que a vítima foi atingida por 27 facadas em regiões vitais, quantidade considerada pela Justiça como incompatível com a tese de legítima defesa moderada. Somado a isso, novos depoimentos e a retratação do pai da ré levaram à decretação de sua prisão preventiva em fevereiro e ao recebimento da denúncia pelo crime de homicídio qualificado.
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