Série “Museus de São Paulo” visita o Museu de Arte Sacra e destaca obras dos primeiros artistas brasileiros
O terceiro episódio da série “Museus de São Paulo” mergulha na história da arte sacra brasileira, utilizando o Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP) como lente para discutir a formação religiosa, artística e social do país.
Episódio começa estabelecendo a arte sacra como a primeira arte brasileira, essencialmente ligada ao processo de evangelização e colonização. A instalação de ordens religiosas como jesuítas, franciscanos e carmelitas e a organização da sociedade em torno de igrejas e mosteiros foram os catalisadores para as primeiras produções artísticas.
Edição destaca a cidade de São Paulo como o berço dessa produção, com as primeiras peças de barro (dos séculos XVI e XVII) vindas de mosteiros beneditinos. Além de peças antigas, como a cariátide vicentina (c. 1550/1560), e as obras dos primeiros artistas brasileiros, como Frei Agostinho de Jesus e Frei Agostinho da Piedade, carregam uma imensa carga emocional por terem sido objetos de devoção por séculos.
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História
A criação do museu está ligada à modernização de São Paulo no final do século XIX e início do século XX, impulsionada pelo ciclo do café.
O primeiro arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, idealizou a nova Catedral da Sé e, com isso, percebeu a necessidade de um espaço para preservar o vasto acervo colonial (prata, ouro, esculturas) que não condizia mais com o projeto de modernidade da nova igreja.
O MAS tem sua origem no Museu da Cúria, fundado por Dom Duarte, um intelectual e colecionador que entendia a importância estética e cultural desses objetos.
O que torna o MAS-SP singular é sua localização no Mosteiro da Luz, um edifício histórico com 251 anos, e uma das últimas chácaras coloniais a manter sua função original. O mosteiro foi construído por Frei Galvão, hoje santo para a Igreja Católica, e fundado em 1774. A essência do museu reside na convivência de três elementos:
- – As Irmãs de Clausura: moradoras do mosteiro há mais de 250 anos, cuja presença é defendida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
- – A Capela de São Frei Galvão: o centro da religiosidade e devoção;
- – O Museu: o guardião da história e arte.
Apesar de ter um acervo majoritariamente católico, o museu busca expandir a narrativa para incluir as “outras vozes que construíram esse país”. A série ressalta a participação de mão de obra e culturas africanas e dos povos originários na criação das peças, caracterizando a arte colonial como mestiça. O próprio Aleijadinho é citado como a figura que encarna essa mistura.
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Assista o episódio completo:
Sobre a série
Convida o público a conhecer o acervo, a história e a importância dos museus paulistas. O programa vai ao ar aos sábados, às 20h.
Criada por Maria Inês Landgraf e dirigida por Paulo Pastorelo, a série de 10 episódios visita museus como o Museu Paulista e o Museu de Arte Contemporânea da USP.
Na série, a equipe da TV Cultura conversa com visitantes dos museus, curadores, diretores, artistas, profissionais da educação e da conservação para provocar reflexões sobre as principais obras dos locais, os edifícios que os abrigam e a relação das pessoas com as instituições.
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