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como o TikTok transforma tendências em produtos

Do morango do amor ao boneco Labubu, o TikTok tem se tornado um dos maiores catalisadores de consumo no mercado atual. Tendências que surgem em vídeos curtos ultrapassam o ambiente virtual e ganham forma física, transformando-se em mercadorias disputadas. O fenômeno vai além de simples modismos e se apoia em elementos como apelo visual, conexão emocional e facilidade de replicação, capazes de impulsionar vendas e criar símbolos culturais.

Reprodução | Redes Sociais 

Para entender essa dinâmica, a TV Cultura entrevistou Arthur Donato, CEO da Agência IVE, profissional formado em marketing e especialista em branding, design gráfico e comunicação interna. Donato explica que o algoritmo do TikTok prioriza a relevância do conteúdo em vez do número de seguidores, permitindo que vídeos atinjam milhões de visualizações rapidamente. Segundo ele, “três fatores são determinantes para que uma trend se torne um produto de sucesso: apelo visual, facilidade de produção e conexão emocional”.

No sentido literal, o termo em inglês “trend” significa “tendência”. Nas redes sociais, porém, ele se refere a conteúdos, estilos, desafios ou formatos que conquistam popularidade rapidamente e passam a ser amplamente reproduzidos por usuários, como músicas, danças, memes ou frases.

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Casos recentes exemplificam esse movimento. Os livros de colorir Bobbie Goods conquistaram o público ao unir estética “cute” e nostalgia; já o Labubu se apoiou em storytelling, escassez e colecionabilidade, criando filas e disputas. “O ponto em comum é transformar a trend em símbolo cultural e trazê-la do TikTok para o mundo físico”, explica o especialista.

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O comportamento dos usuários também é decisivo. Interações como comentários, duetos e recriações indicam o potencial comercial de uma tendência. “É como ver uma vitrine global em tempo real. Tudo que está no TikTok hoje pode virar uma mercadoria”, afirma Arthur.

Mas o ciclo é veloz e exige atenção. “A tendência pode durar semanas. Se a marca demorar muito, perde o timing e chega quando já está saturada”, alerta. Para evitar a fadiga do público, ele recomenda diversificar, criar edições limitadas e pensar na evolução do produto desde o início.

O avanço do TikTok Shopping acelerou ainda mais o processo. Produtos que antes levavam meses para ganhar tração agora podem esgotar em horas. Isso obrigou empresas a manter estoques preparados e investir em social listening para detectar demandas emergentes.

Embora o ciclo das trends tenda a ficar cada vez mais curto, o profissional acredita que alguns produtos conseguem se consolidar. Para isso, precisam evoluir sem perder a essência, renovar formatos e narrativas, além de fortalecer a relação com o consumidor em outros canais. “A trend é a porta de entrada, mas o objetivo é criar relacionamentos que durem mais que o próprio hype”, diz.

O especialista destaca ainda a importância de compreender a sazonalidade. O caso do morango do amor ilustra bem: “Daqui a alguns meses, a produção vai cair e o preço subir, mas a tendência tende a desaparecer. Já no Bobbie Goods, a ideia colecionável mantém o interesse vivo por mais tempo”, afirma.

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Para Donato, o segredo está em adaptar a trend sem perder a essência da marca. “Não adianta ter uma loja de roupas e querer vender morango do amor. Mas pode ser um brinde ou ação sazonal conectada ao seu público. O importante é estar atento para transformar a tendência em algo valioso e autêntico.”

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