entenda o quadro que afeta o cantor Justin Timberlake
Na última semana, o cantor Justin Timberlake revelou que foi diagnosticado com a doença de Lyme. A condição é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, transmitida pela picada de carrapatos infectados.
Timberlake não é o primeiro famoso a falar sobre a doença. Nos últimos anos, nomes como Justin Bieber, Avril Lavigne e Bella Hadid também foram diagnosticados com o quadro.
O quadro é raro no Brasil e mais frequente nos Estados Unidos e Europa. A doença foi descoberta na década de 70, na cidade de Lyme, em Connecticut, nos Estados Unidos.
Segundo a infectologista Raquel Stucchi, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a doença tem duas fases, a inicial e a aguda, e que, em casos não tratados, pode levar a outras condições mais graves.
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O primeiro indício de infecção é uma marca avermelhada no local da picada do carrapato”. “Normalmente, aparece uma mancha, principalmente no local da picada do carrapato, uma mancha vermelha que pode chegar 10 cm até ou até maior. Ela tem uma borda bem nítida, avermelhada e, às vezes, o centro desta mancha fica mais claro, como se fosse um alvo”, explica Raquel Stucchi.
A especialista afirma que a mancha é bastante característica, o que não daria para ser confundida com a picada de outro animal. Ela aponta que nenhuma outra picada daria esse aspecto na pele.
“Esse vermelho da doença de Lyme é bem diferente, não é algo que passaria despercebida, ela é bem característico e visível, nenhuma outra doença daria [o aspecto da mancha]. É um pontinho que coça muito, e a picada acontece em áreas que o carrapato acessa, como mãos e pernas”, destaca a infectologista.
Além da vermelhidão na pele, o paciente pode sentir outros sintomas como: mal-estar, febre, dor de cabeça, cansaço e dor nas articulações.
Tratamento e casos graves
No início, o tratamento consiste no uso de antibióticos. De acordo com a especialista, 72h após o início do quadro, o paciente, na maioria dos casos, já está bem.
No entanto, em casos mais graves, a pessoa infectada pode desenvolver quadros mais graves, como doenças neurológicas e até condições cardíacas.
“Os casos não tratados têm maior risco de desenvolver essas formas crônicas, que as principais são as de acometimento neurológico, de acometimento ósseo-muscular”, afirma Raquel.
Entre os acometidos, a doença de Lyme pode causar artrite, que é a dor e inflamação nas articulações, sintomas neurológicos, como esquecimento e irritação de comprometimento da raiz nervosa.
Em complicações mais graves, a pessoa picada pelo carrapato pode desenvolver até inflamação do músculo do coração, uma miocardite.
Prevenção
Até o momento, não há uma vacina aprovada e pronta contra a doença de Lyme. De acordo com a especialista da Unicamp, um imunizante contra o quadro está na fase dois de testes e de que não existe uma previsão de quando será disponibilizado.
Com isso, a principal prevenção continua sendo em relação ao carrapato. Então, o indicado é que em áreas de mata, a pessoa se proteja com blusa de manga e calça comprida, além de uma fita adesiva para vedar o tecido.
“Além disso, fazer uma boa inspeção do corpo quando voltar dessa exposição a áreas de mata, para ver se não tem nenhum carrapato e daí tirar direitinho com pinça se algum aparecer. E na suspeita de algum sintoma, para quem está no hemisfério, o ideal é procurar um atendimento médico”, aponta.
Situação no Brasil
Nas últimas semanas, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica explicando que não há casos da doença de Lyme no Brasil. A enfermidade, segundo Raquel, é mais comum no hemisfério Norte em razão da característica da bactéria, que sobrevive bem em clima temperado.
“Por enquanto, em 2025, quem estuda a doença de Lyme fez uma revisão muito criteriosa dos casos que no Brasil foram diagnosticados como Lyme, e eles não preenchem critérios da doença, porque a bactéria que causa nunca foi encontrada no Brasil. Então, se não tem a bactéria, eu não tenho a doença”, esclarece a infectologista.
Diagnóstico de Justin Timberlake
O cantor Justin Timberlake afirmou que foi diagnosticado com a doença de Lyme durante a sua turnê.
Na postagem, o artista afirmou que cogitou parar a série de shows em razão do quadro. “Conviver com isso pode ser extremamente debilitante, tanto mental quanto fisicamente. Quando recebi o diagnóstico, fiquei chocado, com certeza. Mas, pelo menos, eu conseguia entender por que eu estava no palco com uma dor enorme nos nervos ou simplesmente sentindo uma fadiga ou enjoo insanos”, afirmou.
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“Decidi que a alegria que me apresentar me traz supera em muito o estresse passageiro que meu corpo estava sentindo. Estou muito feliz por ter continuado”, completou.
Justin Timberlake esteve no Brasil em março deste ano. Ele foi headliner do Lollapalooza Brasil.
Após o fim da turnê, Timberlake afirmou que o período nos palcos foi importante para sua saúde física e mental. “Não apenas provei a mim mesmo minha força mental, como agora tenho tantos momentos especiais com todos vocês que nunca esquecerei”.
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