CEO da Rock World aposta em sucesso da segunda edição mesmo sem sold out dos ingressos
Faltam menos de dois meses para a segunda edição do festival The Town. O evento acontece nos dias 6, 7, 12, 13 e 14 de setembro, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
A primeira edição do evento, que aconteceu em 2023, recebeu cerca de 500 mil pessoas nos cinco dias do festival, com uma média de 100 mil por dia.
Leia mais: Shows internacionais no Brasil: confira quais estão confirmados para o segundo semestre de 2025
De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o festival movimentou R$ 1,9 bilhão na economia da cidade.
Neste ano, os headliners do festival são: Travis Scott, Backstreet Boys, Green Day, Katy Perry e Mariah Carey.
Os fãs ainda poderão curtir atrações internacionais como Lauryn Hill, Don Toliver, Jessie J, Lionel Richie, Camila Cabello, J Balvin e mais. Além de nomes de peso da música brasileira, como Ivete Sangalo, Ludmilla, Gloria Groove e MC Cabelinho.
Em entrevista exclusiva ao portal da TV Cultura, Luis Justo, CEO da Rock World, empresa dona e responsável pela realização do The Town, Rock in Rio e Lollapalooza, contou as expectativas para a segunda edição do evento em São Paulo e falou sobre os desafios de criar um line up atrativo para o festival.
A menos de 60 dias para o festival, o The Town ainda não teve nenhum dos cinco dias esgotados. Para efeito de comparação, na última edição, os ingressos deram “sold out”, duas das datas, no entanto, esgotaram apenas na semana dos shows.
Mesmo sem a venda total das entradas, Luis Justo afirma que os ingressos estão sendo comercializados em um bom ritmo, e que o sucesso do festival não depende apenas do “sold out”.
“Existe a expectativa de que necessariamente todos os ingressos tenham que esgotar em um minuto. Às vezes, não é nem o nosso negócio. E não necessariamente é o indicativo de que o festival vendeu, ou de que foi um sucesso”, afirma.
As entradas para o The Town 2025 custam R$ 975 (inteira) e R$487,50 (meia-entrada).
“Nossa expectativa é que o festival esteja cheio, até porque as vendas de ingresso estão super boas e muito provavelmente alguns desses dias vão se esgotar até antes do evento. Não temos bola de cristal, mas o fato é que as vendas estão muito boas e o festival vai ser um sucesso independente se vai esgotar agora, no dia ou que acabe não esgotando, e fique lá com 90% da capacidade”, ressalta.
Não é apenas o The Town que enfrenta dificuldades para a venda de ingressos. Shows solos de Dua Lipa, Kendrick Lamar e Imagine Dragons, por exemplo, não tiveram seus bilhetes esgotados.
Outros festivais, como o I Wanna Be Tour, ainda têm ingressos disponíveis. Neste ano, o Lollapalooza também não teve uma edição com 100% das entradas vendidas, mesmo com a presença da estrela Olivia Rodrigo, e atrações como Alanis Morissette, Justin Timberlake e Shawn Mendes.
Curadoria e line-up
Assim que o line-up do The Town foi revelado, fãs nas redes sociais discutiram a presença de nomes repetidos na edição deste ano. Atrações como Travis Scott, Katy Perry e Mariah Carey, por exemplo, estiveram no Brasil ano passado, tanto em festivais como em apresentações solos.
Segundo Justo, para encontrar um headliner que atenda aos critérios do The Town, é necessário considerar diversos fatores, entre eles a capacidade do artista de lotar o espaço, e consequentemente, levar uma grande massa de público ao festival.
“É preciso olhar esse nome e ver a capacidade dele de vender ingressos ou não. Isso restringe muito o número de nomes possíveis para aquela posição específica. Não existe uma possibilidade de 300, 500 nomes que poderiam estar naquele slot específico daquele lugar (…) essencialmente, quando você pega aquele nome principal do headliner, do palco principal, você tem uma limitação de conseguir nomes vindo pela primeira vez [ao país] e numa dimensão de tamanho”, explica.
Além disso, outras questões também aparecem como desafios na hora de contratar um nome de peso. Ainda que um artista cumpra todos os quesitos de engajamento, também é necessário que ele tenha disponibilidade na data específica ou que esteja em turnê.
Mesmo com a importância de um bom headliner, como Bruno Mars no The Town 2023, o CEO afirma que o festival também é um espaço para conhecer novos nomes e curtir outros shows.
Neste ano, o evento contará com seis palcos: Skyline, The One, Factory, São Paulo Square, Palco Quebrada e The Tower. Neles, o público poderá curtir diferentes ritmos, como funk, pagode, música eletrônica, trap e mais.
“O festival é mais do que você apenas assistir o show daquela banda específica, é a possibilidade de viver uma série de outras experiências, de ver outras narrativas que não são só especificamente daquele artista mainstream. É, de repente, conhecer um artista que você não conhecia, que está começando a estourar no rádio. Acho que essa diversidade e essa pluralidade acontecem muito quando você olha o contexto do festival como um todo”, aponta Justo.
Com três frentes, The Town, Rock in Rio e Lollapalooza, a empresa trabalha com o desafio de ter sempre line-up atrativos e diversos. A montagem das atrações não acontece somente no ano do evento, geralmente, é pensada por um ou ano mais.
Assim como o processo de escolha de um headliner, os outros nomes também são estabelecidos após um grande processo de curadoria, que entende a viabilidade da agenda do artista e de como ele está performando no cenário da música.
“Temos uma equipe pensando e trabalhando em nomes, pesquisando quais são os grandes nomes, quais são as tendências, quem que a gente acredita que vai estourar, com uma mistura. Hoje, a gente usa muitas ferramentas para olhar tendência de crescimento dos artistas, número de streamings, como é que eles estão crescendo”, afirma Luis.
“O artista também precisa fazer sentido não só do ponto de vista artístico, mas também do ponto de vista de dimensão. Ele está no palco certo, no chegar certo na hora certa”, acrescenta.
Redes sociais e fãs
Além do trabalho de curadoria, o CEO destaca que a companhia está atenta às redes sociais aos pedidos dos fãs. Nesses casos, é avaliado como aquele nome pode ou não combinar com o line-up.
Nas últimas semanas, Roberto Medina, criador do Rock in Rio e The Town, comentou o post de um fã que pedia a presença do cantor Pitbull na próxima edição do Rock in Rio. Após o vídeo viralizar, ele respondeu: “Concordo com você. Vou tentar”.
Apesar da brincadeira, Luis Justo explica que o festival não pode ser pautado 100% pelos comentários, mas que as redes sociais são importantes para entender o perfil da audiência e o termômetro para alguns artistas.
“A gente tem um processo de escuta ativa e que os dados que vêm de fãs, de fandoms e redes sociais, são levados em conta. Então, a gente ouve dentro do processo de escuta ativa, estamos absolutamente atentos a todos os dados e informações e obviamente as redes sociais são parte disso, mas também passa por um processo nosso de curadoria, de ter o olhar e um filtro de saber se faz sentido ou não para aquele festival”, esclare.
O CEO alerta que o engajamento virtual de alguns fandoms não reflete proporcionalmente em uma maior mobilização de público no evento, e vice-versa.
Mesmo que nem sempre resulte na vinda do artista, o CEO da Rock World dá uma dica aos fãs: “A gente fica atento, então, o público não precisa ter vergonha ou timidez, podem se manifestar, fazer seus pedidos, porque estamos sempre de olho”, afirma.
click.tvcultura.com.br
