“Maníaco de Guriri”: polícia detalha método usado pelo suspeito preso em Nova Venécia
Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (28), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória, o delegado-geral José Darcy Arruda e a delegada Patrícia Ferreira de Souza, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São Mateus, detalharam o caso do chamado “maníaco de Guriri”, preso na última sexta-feira (29). Até o momento, são contabilizadas sete vítimas de ataques sexuais. Segundo a Polícia Civil, o preso possui histórico de abusos desde 1994 e foi classificado por Arruda como um “serial killer”.Publicidade
O delegado-geral José Darcy Arruda afirmou que Reginaldo Fernandes, de 49 anos, apresenta “personalidade de narcisista perverso”.
Delegado-geral da Polícia Civil do ES, José Darcy Arruda. Crédito: Sesp
A delegada Patrícia Ferreira de Souza detalhou o histórico criminal do suspeito. “Trata-se de uma pessoa com quatro ações penais com trânsito em julgado pela prática de estupro. O caso mais antigo data de 1994 e o último de 2013. O primeiro fato começou com registro de ocorrência em Guriri. Ele se aproveitava da escuridão, já que o local é área de reprodução de tartarugas e não pode ter iluminação na areia, para abordar as vítimas e cometer os crimes”, disse. A delegada informou ainda que a sequência mais recente de ataques ocorreu entre agosto e novembro do ano passado. As condenações anteriores por crimes contra a dignidade sexual, segundo ela, ocorreram em Caratinga (MG), Governador Valadares (MG) e Nova Venécia.
De acordo com a delegada Patrícia, os relatos das vítimas apontam o mesmo modus operandi. “Ele abordava as vítimas, sempre acompanhadas do parceiro, em Guriri, utilizava uma lanterna direcionada ao rosto delas. Os crimes aconteciam sempre após as 23h, com uso de lanterna e faca. Ele conduzia as vítimas para a faixa de areia próxima ao mar e fazia com que as próprias vítimas amarrassem o parceiro, ou ele mesmo amarrava. Em seguida, exigia que retirassem as roupas, filmava e pedia que se identificassem, informando nome, local de trabalho e endereço, como forma de coagi-las a não procurar a polícia posteriormente”, explicou.
A delegada Patrícia Ferreira de Souza. Crédito: Sesp
“Então ele guardava essas mídias como forma de coação para que não registrassem ocorrência. Houve vítima que só conseguimos identificar posteriormente, a partir da análise do material apreendido, pois não havia comparecido à delegacia. Logicamente, intimei, fiz todo o procedimento correto em relação às vítimas de violência sexual, com encaminhamento para exames e acolhimento, porque é um crime hediondo, que impacta profundamente a vida das pessoas. É difícil romper o silêncio não só pela vergonha, mas também pelo próprio ato de coação”, afirmou a delegada.
Segundo Patrícia, o suspeito fazia ameaças diretas às vítimas. “Era algo do tipo: eu tenho seu vídeo, sei onde você mora, onde sua família mora, e posso ir até lá fazer algo pior. Quando conseguimos identificá-lo, já sabíamos que ele circulava entre Guriri e Nova Venécia. Assim que saiu o mandado de prisão, com apoio do doutor Marcelo, conseguimos localizá-lo em Nova Venécia e fomos em busca dele. Durante o trabalho investigativo, apreendemos material que indica cinco abusos, embora inicialmente tenham sido mencionados apenas dois. Todos com o mesmo modo de agir: abordagem, filmagem e ameaças”, disse. A polícia aponta ainda a suspeita de mais dois crimes, totalizando sete recentes.
Os abusos com registro, segundo a delegada, ocorreram em 19/08 do ano passado — data identificada por registros no material filmado, embora sem boletim de ocorrência — além de 25/08, 12/09, 30/09, 03/11 e 19/11. “Ele sempre simulava estar armado, mostrando ou insinuando o uso de faca. Em um dos casos, o companheiro da vítima percebeu a simulação e reagiu. Nessa situação, conseguimos apreender diversos objetos, como luvas e celular. Nem todos os crimes envolveram o uso de luvas, mas alguns sim. Nesse episódio, o suspeito fugiu deixando pertences para trás, o que permitiu o acesso ao celular. As vítimas são mulheres jovens, todas acompanhadas por parceiros. Em um dos casos, a vítima comemorava o aniversário e havia ido a uma pizzaria antes de ir à praia, quando ocorreu o abuso”, relatou.
O delegado-geral José Darcy Arruda destacou o que chamou de perversidade do criminoso. “Ele pedia que as mulheres amarrassem o companheiro, fazia com que o homem se deitasse de bruços, e o estupro era praticado sobre o corpo dele”, afirmou.
“Ela era obrigada a se posicionar sobre o corpo do companheiro, momento em que o crime era cometido”, completou a delegada Patrícia Ferreira de Souza.
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