Polícia investiga morte de pacientes em hospital do DF e apura atuação criminosa de ex-técnicos de enfermagem – Portal Momento
Facebook
Twitter
WhatsApp
Email
Print
© PCDF
A Polícia Civil do Distrito Federal apura a suspeita de que ex-técnicos de enfermagem de um hospital particular tenham provocado intencionalmente a morte de pelo menos três pacientes por meio da aplicação de uma substância letal. As investigações tratam os casos como homicídios.
Dois suspeitos — um homem e uma mulher — foram presos no dia 11, durante a deflagração da Operação Anúbis, nome que faz referência à divindade egípcia associada à condução das almas após a morte. Uma terceira investigada foi detida na última quinta-feira (15). Na ocasião, os policiais apreenderam aparelhos eletrônicos e outros materiais que podem contribuir para o avanço das apurações.
As mortes ocorreram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025, no Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, no Distrito Federal. O caso só se tornou público nesta segunda-feira (19). Como o inquérito corre em segredo de Justiça, a Polícia Civil não divulgou os nomes dos investigados nem das vítimas, tampouco esclareceu a motivação dos crimes.
Em coletiva de imprensa, o delegado Wisllei Salomão informou que as vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos. “Eles morreram pela ação de pessoas que deveriam estar cuidando deles”, afirmou.
Segundo o delegado, as provas reunidas indicam que os técnicos de enfermagem aplicaram indevidamente um medicamento de uso comum em UTIs, mas que, quando injetado diretamente na veia, pode causar parada cardíaca e levar à morte. A investigação analisou imagens das câmeras de segurança da UTI, prontuários médicos e colheu depoimentos de outros funcionários do hospital.
De acordo com Salomão, um dos técnicos se aproveitou do sistema informatizado aberto em nome de médicos para prescrever o medicamento de forma irregular. Em pelo menos duas ocasiões, ele teria retirado a substância da farmácia, preparado a seringa, escondido o material no jaleco e aplicado o conteúdo em três pacientes.
As duas técnicas de enfermagem presas teriam colaborado com a ação. Uma delas ajudou a buscar o medicamento e estava presente no momento da aplicação. Em um dos casos, o principal suspeito também teria injetado desinfetante na paciente. Segundo a polícia, o produto foi aspirado com uma seringa e aplicado repetidas vezes após o término do medicamento.
Circunstâncias atípicas
Em nota, o Hospital Anchieta informou que demitiu os três profissionais e acionou a Polícia Civil após um comitê interno identificar situações consideradas atípicas nas mortes de pacientes internados na UTI. A instituição afirmou que, em menos de 20 dias, a investigação interna reuniu indícios suficientes para apontar o envolvimento dos ex-funcionários.
O hospital declarou ainda que compartilhou todas as informações apuradas com as autoridades e ressaltou que também é vítima da conduta dos investigados. A direção informou que prestou esclarecimentos às famílias das vítimas e reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência e a colaboração irrestrita com a Justiça.
Investigação continua
Conforme a Polícia Civil, o técnico acusado de aplicar as substâncias tem 24 anos, cursa fisioterapia e, mesmo após ser desligado do Hospital Anchieta, continuou atuando em uma UTI infantil. As duas técnicas de enfermagem detidas têm 28 e 22 anos; uma delas já havia trabalhado em outros hospitais, enquanto a outra estava em seu primeiro emprego na área.
Os três permanecem presos temporariamente por 30 dias. A polícia informou que seguirá investigando se houve participação de outras pessoas e se crimes semelhantes ocorreram em hospitais onde os suspeitos trabalharam anteriormente. A análise de celulares, computadores e demais dispositivos apreendidos também deve ajudar a esclarecer as motivações dos crimes.
Procurado, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios informou que irá avaliar as providências cabíveis assim que receber formalmente o procedimento investigativo.
Fonte: Agência Brasil
www.portalmomento.com.br
