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Polícia mira grupo de extorsão sexual que ostentava viagens luxuosas e movimentou R$ 600 mil no ES

A Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou, nesta sexta-feira (12), a Operação Luxúria, para desarticular um esquema de extorsão que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 600 mil em menos de seis meses. A ação foi coordenada pela Delegacia de Vila Valério, com apoio das delegacias de Colatina, Jaguaré e São Gabriel da Palha, e cumpriu mandados na cidade de Colatina.Publicidade

De acordo com o delegado Erick Lopes Esteves, titular da Delegacia de Vila Valério, o esquema era liderado por Camila Francis da Silva, que mantinha perfis falsos em sites de relacionamento para atrair vítimas e, depois, chantageá-las. Camila e o marido, Washington Henrique dos Passos, foram presos. Uma terceira investigada, identificada como Wilza de Lima Alves, ainda não foi localizada.

FOTOS DA LÍDER DO ESQUEMA

As investigações começaram depois que um morador de Vila Valério procurou a delegacia relatando ter perdido cerca de R$ 30 mil após ser ameaçado pela quadrilha. A partir desse caso, a Polícia Civil encontrou várias outras vítimas com relatos semelhantes em diferentes municípios do Estado — já são mais de 10 cidades com pessoas lesadas.

Segundo o delegado, Camila marcava encontros e, após descobrir que o homem era casado ou tinha família, iniciava as extorsões. “Ela dizia que iria destruir a vida da vítima, expor tudo para a esposa e, em alguns casos, enviava até vídeos de execuções para intimidar”, informou Esteves.
Um dos alvos, Camila Francis da Silva, antes e depois dos golpes, segundo a polícia. Crédito: Redes sociais

Com o dinheiro obtido ilegalmente, a líder do grupo levava uma “vida de luxo”, conforme descrição do delegado. Camila ostentava viagens para Dubai, Maragogi, Jericoacoara e outros destinos, além da compra de perfumes importados, óculos, relógios, roupas caras e de um veículo avaliado em R$ 120 mil. Ela também teria financiado cirurgias plásticas para a própria filha, tudo com valores das extorsões.

“A líder da organização não possui qualquer trabalho formal. Era uma pessoa que pegava o dinheiro e gastava, porque sabia que, a qualquer momento, isso poderia dar problema”, destacou Esteves.

Para ocultar a origem dos valores, o grupo abria contas bancárias em nome de terceiros e contraía empréstimos usando esses cadastros. A polícia ressalta que um dos envolvidos tinha até benefício do Bolsa Família, incompatível com o padrão de vida que ostentava.

A Justiça concedeu três mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de bens e valores e do afastamento do sigilo financeiro dos investigados. Até o momento, dois alvos foram presos.

A Polícia Civil afirma que há vítimas em vários municípios onde as delegacias participantes atuam, o que motivou a operação conjunta.

A reportagem tenta localizar a defesa dos citados. Este espaço segue aberto para posicionamento.

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