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entenda o quadro que afeta mais de 20% dos brasileiros acima dos 65 anos

Há cerca de um mês, o mundo se despedia do eterno Ozzy Osbourne. Embora não tenha morrido diretamente pelo mal de Parkinson, o britânico, líder da banda Black Sabbath e um dos maiores artistas da história do rock, convivia com os efeitos da doença desde 2019.

Além dele, diversas personalidades no Brasil e no mundo convivem com a doença, como o ator Michael J. Fox (“De Volta Para o Futuro”), o político José Serra, o ex-jogador da NFL Brett Faavre e o cantor Eduardo Dussek, entre muitos outros.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 8,5 milhões de indivíduos com mais de 65 anos têm a doença.

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O que é o Parkinson?

Segundo o neurocirurgião Renato Andrade Chaves, especialista em cérebro e coluna, a doença de Parkinson é um distúrbio neurológico degenerativo, resultado da degeneração dos núcleos dopaminérgicos do cérebro. Isso leva à redução da dopamina, um neurotransmissor responsável por transmitir sinais entre as células nervosas.

A perda de dopamina provoca rigidez muscular, tremores, dificuldade em manter a postura e o equilíbrio, voz mais baixa, problemas de deglutição, entre outros sintomas.

As causas exatas da doença são desconhecidas, mas alguns fatores de risco podem estar relacionados, como traumas cranianos e exposição a determinadas substâncias.

“É conhecido que, nos pugilistas, pancadas frequentes podem levar à diminuição dessa quantidade de dopamina. O núcleo dopaminérgico sofre e isso pode levar ao desenvolvimento do Parkinson pelas pancadas”, explica o neurologista.

“O uso de cocaína também pode reduzir a atividade do núcleo dopaminérgico, causando uma doença muito semelhante ao Parkinson. Um caso bem descrito é o de Michael J. Fox, que fez De Volta para o Futuro, teve a doença e desenvolveu pelo uso da substância.”

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Qual a incidência?

Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 20% dos brasileiros acima de 65 anos são afetados pela doença.

“A idade de início costuma ser por volta dos 50 anos. Com 45-50 anos, os sintomas começam a aparecer. Curiosamente, até dez anos antes dos quadros graves, já é possível notar alguns sinais”, afirma o médico.

O especialista destaca que, muitas vezes, os pacientes apresentam perda do olfato, um sinal preditivo, mas ressalta que nem todos que têm esse sintoma desenvolverão a doença.

“Às vezes, há uma diminuição da quantidade de dopamina que não é suficiente para causar sintomas. Algumas doenças são confundidas com o Parkinson.”

Alterações cognitivas também são comuns, afetando atenção, memória e capacidade de planejamento. É a segunda doença neurodegenerativa mais comum, atrás apenas do Alzheimer, com associação em cerca de 30% dos casos.

Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Hospital das Clínicas revelou que mais de 500 mil brasileiros com 50 anos ou mais vivem com a doença.

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Embora não seja causa direta de mortalidade, ela aumenta o risco de complicações graves. Além de afetar funções motoras, a doença pode impactar o humor, levando a ansiedade, irritabilidade e depressão.

“O paciente pode ficar acamado e morrer por pneumonia, gripe, infecção renal ou urinária, devido à incapacidade de se movimentar”, explica o neurologista.

Como é feito o diagnóstico?

Não existem exames laboratoriais específicos para diagnosticar o Parkinson. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico do paciente em conjunto com exames neurológicos, como ressonância magnética e tomografia.

Cura e tratamento

Ainda não há cura, mas existem tratamentos que ajudam a controlar os sintomas. Eles incluem medicamentos, fisioterapia, psicoterapia e cirurgia. No Brasil, os medicamentos são disponibilizados gratuitamente pelo SUS através do Programa de Medicamentos Excepcionais.

“O tratamento precoce é fundamental. O tratamento medicamentoso costuma trazer resultados muito bons. Quando não é suficiente, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados”, afirma o especialista.

O Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, é referência em tratamento cirúrgico para Parkinson pelo SUS. A cirurgia, chamada Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation, em inglês), não é experimental e já é realizada há anos. Ela é indicada para pacientes em estágio avançado, nos quais as altas doses de medicamentos já provocam alguns efeitos colaterais.

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A DBS utiliza um dispositivo implantado no cérebro para gerar estimulação elétrica, controlando os sintomas motores e devolvendo autonomia e qualidade de vida. Não oferece cura, mas melhora significativamente a funcionalidade do paciente. O procedimento se destaca por ser o de maior eficácia no tratamento dos sintomas da doença.

Na área de tratamentos experimentais, o Hospital Albert Einstein implementou, pela primeira vez no Brasil, em março deste ano, uma nova técnica de ultrassom para tratamento de distúrbios de movimento em pacientes diagnosticados com tremor essencial e em casos selecionados de Mal de Parkinson.

O tratamento utiliza a tecnologia High-Intensity Focused Ultrasound (HIFU), um procedimento não invasivo – sem cortes ou incisões – que aplica ondas de ultrassom de alta intensidade em um ponto específico do cérebro responsável pelos tremores.

Com o suporte da ressonância magnética, a aplicação do HIFU realiza uma lesão térmica milimétrica, com precisão anatômica, e prevê melhora do tremor em torno de 70%.

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Principais desafios

“É importante entender a doença, os estágios pelos quais os pacientes vão passar e adaptar o ambiente para prevenir quedas. É essencial tomar a medicação corretamente e manter acompanhamento médico”, ressalta o especialista.

Ele ainda compara as doenças neurodegenerativas às doenças cardíacas, enfatizando que alimentação adequada, estilo de vida saudável e atividade física podem reduzir a incidência e a progressão da doença.

“Se houver dor inexplicável, tremor em repouso ou dificuldade para realizar tarefas cotidianas, é importante procurar um médico para diagnóstico precoce. Vale a pena procurar o médico, mesmo que seja apenas para descartar possibilidades”, destaca o neurologista.

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