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como o passado segue ditando tendências em 2025?

De um lado, turnês esgotadas de bandas que marcaram os anos 1990 e 2000. De outro, o retorno dos celulares retrôs, a venda crescente de discos de vinil e uma avalanche de adaptações em live-action de desenhos que marcaram gerações.

A nostalgia não é apenas uma lembrança carinhosa do que passou, mas um movimento com força comercial, emocional e até política. Em 2025, ela está mais presente do que nunca e influencia desde o consumo de cultura pop até o modo como lidamos com o presente.

Para entender os caminhos dessa tendência, a TV Cultura entrevistou o Dr. Evandro Vieira Ouriques, terapeuta de base analítica, corporal e energética, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e diretor do Núcleo de Consciência, Teoria e Terapia Psicopolítica da ECO-UFRJ. Segundo ele, essa volta ao passado é um reflexo direto da incerteza que marca o tempo atual.

A nostalgia serve como um refúgio. Quando o futuro parece incerto, o passado oferece uma ilusão de controle. Ele já foi vivido, pode ser revisitado”, explica. Para Ouriques, vivemos hoje um momento de fragmentação social, em que a percepção do outro como parte de si mesmo se perdeu. “O outro é incerto. O futuro é incerto. A nostalgia oferece, então, alguma estabilidade emocional.”

Essa necessidade de estabilidade encontra respaldo em um contexto global tenso. Guerras, colapsos ambientais, crises políticas e a aceleração digital constante criam um ambiente de insegurança, no qual o conhecido se torna confortável. “A nostalgia está organicamente ligada à falta de horizonte. Quanto mais a situação piora, mais a indústria do entretenimento capitaliza sobre esse sentimento. Reviver séries, bandas ou personagens antigos garante público e afeto estabelecido. Isso revela um desejo coletivo de reencontrar significado em um mundo fragmentado.”

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As redes sociais também amplificam esse processo. Ao reforçar bolhas afetivas e memórias coletivas, os algoritmos alimentam o retorno do passado. “As redes funcionam como um espelho do território mental. O ódio que vemos ali, por exemplo, não vem das redes, mas das pessoas. A nostalgia, por sua vez, se apresenta como resistência, tanto reacionária quanto progressista”, analisa o professor.

Esse movimento também se expressa em fenômenos culturais curiosos, como a volta de celulares simples, os chamados dumb phones, ou a redescoberta de tecnologias analógicas. “Há um cansaço digital evidente. A simplicidade do passado surge como um protesto silencioso contra a tirania dos algoritmos. Desenhos animados antigos, por exemplo, são profundamente simples. E hoje estamos sentindo falta disso: daquilo que é simples”.

No entanto, essa volta ao passado pode indicar também uma dificuldade de lidar com o presente. “É exatamente isso. O presente se mostra incapaz de oferecer um futuro claro”, resume. E essa busca não pode apenas ser considerada “moda”: tem raízes emocionais profundas. Para o professor, o fenômeno é psicopolítico. “O ser humano é sobredeterminado pela mente, e mente, aqui, como fluxo de pensamentos, afetos e intuições. A nostalgia está ligada à forma como sentimos e compreendemos o mundo.”

Ainda que muitos temam que esse retorno constante ao passado impeça a inovação, Ouriques acredita que tudo depende da forma como usamos a memória. “A nostalgia pode tanto estagnar quanto estimular. Está diretamente ligada à capacidade de usar o passado para corrigir o presente. No fundo, ela expressa um desejo por continuidade em um mundo em colapso.”

E quanto ao futuro dessa tendência? A resposta vem com uma provocação: “Nietzsche dizia: usamos a história como monumento para nos inspirar ou como túmulo para nos aprisionar? Tudo depende da qualidade do nosso território mental, da formação cultural que recebemos e da capacidade de discernir”, conclui.

Assim, a nostalgia que hoje move a cultura pop não é apenas saudade. É sinal de tempos difíceis, de desejos profundos e de um presente que, mais do que nunca, precisa de sentido.

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