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Tempestade vive novas aventuras nos quadrinhos com pitadas de brasilidade

Uma das principais integrantes dos X-Men, a Tempestade é um pilar das histórias dos mutantes e uma das personagens mais populares do universo Marvel. Figura muito querida pelos fãs dos quadrinhos, animações e cinema, ela completou mais de 50 anos de histórias em 2025.

Atualmente, as aventuras solo de Ororo Munroe (nome civil da super-heroína) nas HQs são desenvolvidas por uma equipe repleta de artistas brasileiros, dentre eles o desenhista Lucas Werneck, que falou ao site da TV Cultura sobre a nova fase e a presença de influências do Brasil na história.

Escrita pelo nigeriano Murewa Ayodele, a atual revista solo começou em outubro do ano passado e estreia sua 10ª edição nos Estados Unidos neste mês de julho. Agora uma membro ativa dos Vingadores, a mutante encara desafios cósmicos enquanto é obrigada a lidar com questões relacionadas à sua saúde.

Um dos desenhistas principais da série, Werneck não deixou de incluir pequenas referências do Brasil já nos primeiros números.

Sempre que eu posso eu coloco algum elemento brasileiro [na revista]. Tem um momento, logo no início das edições, que ela [Tempestade] interage com umas capivaras”, diz. Ele ainda brinca: “Quando você menos esperar… ela vai estar tomando um guaraná!

Reprodução | Marvel Comics

Além dos easter eggs tupiniquins, o quadrinista revela que nos próximos números a heroína vai aparecer no país. Nas palavras de Lucas, a visita é uma pequena gentileza do roteirista para com sua equipe de ilustradores.

Em certo momento da história, a Tempestade vem ao Brasil em uma rápida passagem (…) vão ter algumas situações em que ela encontra alguns novos personagens, e fazia sentido isso acontecer aqui”, diz.

Além de Werneck, o capista Mateus Manhanini e o colorista Alex Guimarães são os outros brasileiros que compõem a equipe criativa do gibi. 

A série ainda não foi publicada no Brasil, mas deve chegar ao país no ano que vem.

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Novo visual, e um novo cabelo!

Uma das principais contribuições de Lucas para a nova mitologia da personagem foi o visual. Cerca de 17 trajes foram elaborados pelo quadrinista. O principal deles, que estampa a capa da primeira edição, é uma homenagem ao look mais clássico da mutante queniana, apresentado em ‘Giant-Size X-Men 1º’ (1975), a primeira aparição da super-heroína, escrita por Len Wein e desenhada por Dave Cockrum.

Montagem: Reprodução | Marvel Comics

Outra mudança fundamental estabelecida pelos quadrinhos da cronologia atual é a representação do cabelo da Tempestade. Desde os anos 70 até as HQs mais recentes, as madeixas prateadas de Ororo foram retratadas de diversas formas: longas, curtas, onduladas e lisas – essa última a mais usual. Até moicano ela já teve, visual bem celebrado pelos leitores.

Nos gibis mais recentes, ela é ilustrada com o cabelo mais crespo e volumoso, que intencionalmente lembra o aspecto de nuvens. Tudo a ver com a personagem, tratada em várias ocasiões como uma espécie de divindade.

Reprodução | Marvel Comics

Quando chegou pra mim a proposta de fazer essa nova fase dela, nas primeiras conversas entendi que essa história solo falaria sobre ancestralidade. Falaria sobre pegar essa personagem e voltar às origens dela (…) a primeira coisa que eu estabeleci já nos primeiros rascunhos foi que o cabelo seria uma coroa. Sempre fez muito sentido pra mim que ela tivesse um cabelo encaracolado e que fizesse parte de uma herança de orgulho pra ela”, diz o ilustrador.

Nos cinemas, a X-man já foi interpretada por Halle Berry e Alexandra Shipp, ambas com um tipo de cabelo mais liso. As produções mais recentes do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) têm introduzido aos poucos o universo mutante nas telas. Ainda não se sabe quem dará vida à Tempestade nos próximos filmes, mas Lucas torce para que a aparência atual nos gibis possa ser adaptada para as telonas. 

Montagem: Reprodução | Fox

Acho que faz todo o sentido. A personagem é uma deusa africana, uma rainha africana. Entendo os motivos do porquê ela ter sido representada até então com o cabelo liso, porque, enfim, é mais fácil de desenhar, tem uma questão de tempo, e também pelo próprio racismo estrutural que a gente vive. Então o que é, ou era, considerado bonito é o cabelo liso”, diz.

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