Ana Maria Gonçalves se torna a primeira mulher negra na ABL em 128 anos
A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu a escritora Ana Maria Gonçalves para a cadeira número 33 da instituição, sucedendo o gramático e filólogo Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano.
Aos 55 anos, Ana Maria torna-se a 13ª mulher a ser eleita para a ABL e a quinta entre os atuais membros da Academia. Ela foi escolhida por 30 dos 31 votos possíveis.
Consagrada pela obra “Um defeito de cor”, Ana Maria é a primeira mulher negra a integrar a ABL em seus 128 anos de existência, além de ser a mais jovem entre os atuais imortais. Ela disputou a vaga com outros 11 intelectuais.
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A escritora tem se destacado por promover debates sobre questões raciais por meio de sua produção literária. Também roteirista e dramaturga, é professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais.
“Parabenizo Ana Maria Gonçalves por esse grande feito, por sua escrita impecável e pelas importantes bandeiras que carrega”, declarou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Nascida em Ibiá, Minas Gerais, em 1970, Ana Maria começou a escrever contos e poemas ainda na adolescência, embora sem publicá-los. A paixão pela leitura surgiu na infância, quando já lia jornais, revistas e livros com frequência, segundo informou a ABL.
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Após atuar por 15 anos na área de publicidade, decidiu se dedicar à literatura. Escreveu os romances “Ao lado e à margem do que sentes por mim” e “Um defeito de cor”, este último um sucesso de crítica e público. A obra venceu o Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2007) e foi eleita, por críticos convidados pela Folha de S.Paulo, como o livro mais importante do século XXI.
Com 952 páginas, o romance foi publicado em 2006 e levou cinco anos para ser concluído, dois de pesquisa, um de escrita e dois de reescrita. A narrativa acompanha a trajetória de Kehinde, uma mulher negra sequestrada no antigo Reino do Daomé e escravizada na Bahia.
Ana Maria já teve obras publicadas em Portugal, Itália e nos Estados Unidos, onde viveu por oito anos e ministrou cursos e palestras sobre questões raciais. Foi escritora residente em universidades como Tulane (Nova Orleans, Louisiana), Stanford (Palo Alto, Califórnia) e Middlebury (Vermont).
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