Filmes premiados em Tiradentes serão exibidos em Paris
A Mostra de Cinema de Tiradentes organizou exibições de 12 filmes brasileiros para o público do festival Regards Satellites, em Paris, na França. As produções estarão em quatro espaços da cidade, com sessões que começaram hoje (3) e terminam na próxima segunda-feira (7).
Para a abertura, foram selecionados o curta-metragem mineiro Fantasmas, de André Novais Oliveira, e o longa-metragem Estrada para Ythaca, de Guto Parente, Luiz Pretti, Ricardo Pretti e Pedro Diógenes. As sessões serão no Cinéma L’Ecran.
A programação ainda conta com o longa É Rocha e Rio, Negro Leo, de Paula Gaitán (SP), que se propôs a trazer enquadramentos sensoriais sobre as criações do compositor, cantor e violinista Negro Leo e o Rio de Janeiro; os curtas A Maldição Tropical, de Luisa Marques e Darks Miranda (RJ); Quando Aqui, de André Novais Oliveira (MG); Vando Vulgo Vedita, de Leonardo Mouramateus e Andréia Pires (CE); e os longas O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado (MG), Pacific, de Marcelo Pedroso (PE), A Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchôa (MG), Baronesa, de Juliana Antunes (MG), Kickflip, de Lucca Filippin (SP) e Batguano, de Tavinho Teixeira (PB).
A organização da mostra aproveitará a ocasião para o público adentrar o universo do cinema brasileiro com Saint-Denis por Lincoln Péricles, uma cinexperiência cinematográfica em curso, atividade que faz parte de projeto do cineasta Lincoln Péricles, morador do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, e que, atualmente, participa de uma residência artística em Saint-Denis.
Para fechar a mostra, em 9 de abril, a Salle Langevin recepcionará os curadores Cléber Eduardo e Francis Vogner dos Reis para o debate No coração da Mostra de Tiradentes: Que convergências existem entre a prática crítica e a programação deste festival de cinema?
Eduardo explica que os títulos que compõem a mostra são de 2008 em diante e que a distinção dos vencedores da mostra de Tiradentes, a partir de 2010, era mais perceptível quanto aos aspectos formais do que temáticos, mesmo que eventualmente semeassem discussões sobre o momento do país.
“O que une todos os filmes é que foram importantes para a Mostra de Tiradentes porque se tornaram um pouco paradigmáticos dentro do evento. Nossa mostra também foi importante para eles, porque foi ali que ganharam algum destaque, alguns se projetando para o Brasil e para festivais no país, e outros para fora do Brasil”, afirmou.
O que particulariza o conjunto de filmes da mostra levada a Paris é que são todos de baixo orçamento. Quanto a isso, o curador diz ser um ponto positivo, porque, apesar de os realizadores rodarem em “condições semiprecárias”, a ausência de financiadores permitiu que trabalhassem sem trair a integridade do projeto como o conceberam.
“Tem filme feito só com o realizador, a câmera e o que está sendo filmado. Não tem equipe no momento da filmagem, e vai ter equipe só na finalização. O que une todos é uma espécie de modo de produção e estética do mínimo.”
Para o cineasta, nesse modo de produção e estética do mínimo, há uma atitude política.
Mas não é uma atitude política com as grandes questões do Brasil. É uma atitude política em relação ao que pode ser fazer cinema no Brasil e, muitas vezes, à margem das políticas públicas. E aí, estou falando de um arco, e é muito fácil jogar toda a culpa no Bolsonaro. Então, eram filmes que estavam à margem também das políticas públicas de outros governos. Tem uma primeira atitude política que é para dentro do próprio realizar cinematográfico. Essa é uma geração que não esperou, como outras antes, ganhar o primeiro edital de longa, eles foram fazendo e, depois, com o tempo, foram ganhando editais.”
Responsável por coordenar a mostra de Paris, Raquel Hallak afirma que a leva que vai ao outro continente é resultante de um forte desejo da França por conhecer mais a fundo o cinema brasileiro.
“Eles têm muito interesse pelo cinema que a gente exibe, em que a gente acredita, mostrando exatamente o que tem de mais novo, em termos de narrativa, de estética, de inovação no cinema brasileiro, quem está surgindo na cena”, diz.
Segundo a coordenadora, a França sempre está presente em outros festivais, como a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), e disposta a contribuir para a preservação de acervos. “E nesses diálogos todos que acaba correspondendo ao ecossistema do audiovisual.”
A programação completa pode ser conferida no site oficial da Mostra de Tiradentes.